A USP ainda é uma universidade digna desse nome?

As tensões e conflitos entre estudantes, docentes e funcionários da USP se tornaram corriqueiras, diárias e crescentes ao longo da gestão do reitor Marco Antonio Zago. Tais tensões eclodem muitas vezes em conflitos violentíssimos com a participação da polícia militar, que tem sido acionada pelas instâncias superiores e age, com a autorização da reitoria, com toda a brutalidade ao seu alcance para intimidar os membros da comunidade acadêmica no livre exercício de seu direito de se manifestar.

São muitos os episódios que demonstram que o campus da USP se tornou um palco de horrores e, paradoxalmente, uma usina de práticas discricionárias, intimidatórias e verticalizadas. Custa acreditar que o diálogo em questões cruciais para a universidade, do lado de dentro dos portões, se converte em golpes de cassetete, chutes na cabeça, bombas de gás lacrimogênio, gás de pimenta e detenções de manifestantes, trabalhadores e estudantes dessa mesma universidade.

A produção de conhecimento, a palavra e o diálogo, vitais em sala de aula, têm dado lugar fora dela à desmedida violência e, então, a força bruta se instala e não há lugar para mais nada.

Reproduzimos abaixo relatos de pessoas e manifestações de entidades sobre os últimos acontecimentos envolvendo a tentativa de sucateamento e fechamento da creche da USP e a repressão da tropa de choque com a anuência do reitor, aos manifestantes na última reunião do Conselho Universitário.

Difícil saber o que adquiriu mais relevância para muitos de nós: preparar-se para os confrontos diante da necessidade de debater e, eventualmente, se proteger da agressão policial em situações em que se define o futuro da universidade, ou trabalhar para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e extensão. A violência se instalou em continuidade a gestões anteriores e, ao que tudo indica, veio para ficar atingindo a todos direta ou indiretamente.

Ao jovem pleiteante à USP, seria preciso pensar ao menos duas vezes antes de eleger a USP como sua universidade, porque ela não será também sua, mas terá de ser disputada com reitores discricionários e policiais truculentos que, diante daqueles que divergem, trabalham juntos esparramando medo, feridas e ódio pelo campus.

Há dias e momentos em que é mais fácil ser ferido no campus da USP durante uma manifestação pacífica do que em qualquer local perigoso, na perigosa cidade de São Paulo. Lamentavelmente uma guerra está deflagrada e ocorre às escondidas entre os muros da universidade, mas é urgente que a sociedade paulistana e brasileira saiba a pancadaria recorrente que ocorre entre as árvores e o gramado verde do belo campus da USP. Ali, entre o farfalhar das folhas e a brisa de verão, sangue vermelho também escorre.

Leia a seguir depoimentos e manifestações que detalham os últimos acontecimentos envolvendo a ocupação da creche da USP e a última reunião do Conselho Universitário ocorrida no dia 07/03/2017.