Chegou a hora das polícias (e das forças armadas) prenderem as polícias – Paulo Endo (especial para Psicanalistas pela Democracia)

Mais um-entre tantos- alerta nacional, geral e urgente. O desgoverno das milícias é também o governo dos desesperados, covardes, infames e assassinos. São esses, como muitos de nós prevíamos, desde o início do mandato, que se levantariam às vésperas da queda do atual governo. Mas de boas previsões, o inferno… quero dizer, o Brasil está cheio. A possibilidade de não emplacar na próxima eleição já é óbvia. O governo não tem maioria para se reeleger e seus adeptos não vão conseguir convencer outros eleitores na base da porrada como gostariam. Muitos de nós também indicamos inúmeras vezes que uma estratégia repetitiva, ecolálica e muito eficaz no Brasil é criar um fato violento capaz de produzir sentimentos de medo que alicerçam o conservadorismo e a obediência e reabilitam tiranias. Assim foi o efeito da facada vexaminosa, no momento em que Haddad crescia exponencialmente nas pesquisas. E, depois, as ameaças semanais de golpe, quebra da institucionalidade democrática, perseguições etc. juntamente com promessas de vantagens, anistia e para os apoiadores de plantão.

Ninguém hoje pode mais ter a desfaçatez de acreditar que essas estratégias são inofensivas, estéreis ou ineficazes. Dia a dia elas são aplicadas para preservar o mandatário no poder à base de bravatas e sustos. Olha lá hein! Agora acabou! Tão esticando a corda! Não brinquem com fogo! Cuidado amanhã meu pessoal pode não acordar de bom humor! Tô ficando nervosinho! Não persigam meus filhotes!

São apelos de uma criança violenta, mimada e desesperada que não quer largar seu brinquedo chamado Brasil apenas para destruí-lo. O presidente que será lembrado por um único feito; um ato magnânimo, digno de um estadista de um país continental: pôr fim ao horário de verão.

Ainda no pleno exercício de seu poder de mando ele degrada, machuca e promete matar as pessoas que pretendem retirar seu brinquedo de suas mãos nervosas.

O STF assumiu seu lugar de adulto entre as instituições. Passou a exercer suas funções constitucionais enquanto a Procuradoria Geral das Bananas continua inerte e, desse modo, isola o STF que, consequentemente, virá alvo de birras cujos desfechos podem ser severos e letais.

Por isso o artigo de Ricardo Lewandowski na Folha de São Paulo hoje (29/08) é importante. É a voz de um adulto que avisa à criança marrenta e seus coleguinhas que todos/as estão às vésperas de cometer um crime inafiançável. É uma manifestação precisa, num tempo preciso em que proliferam covardes em toda parte. Contudo é chegada também a hora dos generais Santos Cruz, Hamilton Mourão, Paulo Chagas e os governistas Barros, Heleno e outros irem além das palavras para provarem o que dizem e exercerem a autoridade que supostamente representam. “Não há clima para golpe”, as forças armadas não se dobrarão à aventuras golpistas”, “as forças armadas são guardiãs da constituição.” O exército combaterá os policiais que fazem farra conclamando seus iguais para o golpe? O exército brasileiro, que é tão pusilânime e despreparado para enfrentar um inimigo externo e que atuou, covardemente, para matar, perseguir, torturar e desaparecer com os “inimigos internos” que eram, afinal, apenas amigos da democracia, saberá e terá capacidade e condições morais para hoje coibir, prender, punir os inimigos da democracia que se preparam para o seu grande dia 07? Não se deve esperar muito de nossos generais, mas a institucionalidade das forças armadas e em especial do exército brasileiro também será colocada em causa. É chegada a hora de prender, responsabilizar e combater abertamente as polícias e os policiais que sempre se beneficiaram da farda, da arma e do salário pago com os impostos para ameaçar a vida de brasileiros e brasileiras e que, nesse governo, encontraram a possibilidade de fazer isso em escala.

A guinada que o Brasil precisa, talvez e infelizmente, dependerá de chegarmos ao fundo do poço. A correlação de forças que se colocará à prova é hoje entre os indivíduos armados, milícias, criminosos que afrontam o Estado e as próprias forças armadas, juntamente com a banda não podre das polícias. Nunca, como agora, elas foram convocadas a cumprirem o seu papel institucional e constitucional. Hora das forças armadas irem às ruas para proteger as cidadãs e cidadãos brasileiros ameaçadas/os, combater e prender os/as policiais antidemocráticos/as ou então se renderem às milícias. Caso contrário ficará flagrante que os generais, afinal, não eram apenas subalternos de um pseudo-capitão, estavam também e desde o começo, à serviço de milicianos sempre dispostos dominar e aterrorizar os bairros, as comunidades, as cidades e o país.

Hora de decidir se Danieis Silveiras encabeçarão uma enorme fileira de prisioneiros e responsáveis por crimes contra o país ou liderarão revoltas contra o incipiente projeto de nação chamado Brasil.