07 de setembro de 2019, dia da Independência nacional. Por Chico Whitaker.

Elias Dóro (Exposição Independência em Risco)
07 de setembro de 2019, dia da Independência nacional
Já não estamos tão paralisados. Manifestações e protestos começam a se multiplicar, nas mais diversas áreas sob o ataque da barbárie. Até o Congresso segura algumas insanidades, embora deixe passar outras. O próprio STF se prepara, no seu ritmo, para recuperar a primazia da Constituição e estancar as práticas inadmissíveis que permitiram a um alucinado se tornar Presidente. O numero de arrependidos aumenta, inclusive entre os que esperavam ganhar mais dinheiro com o novo governo. E se eleva o nível de consciência do desastre na própria base da sociedade, que vive mais concretamente as conse quências negativas do debacle econômico, como o desemprego. Denuncia-se cada vez mais direta e claramente o sofrimento causado pelo estímulo da violência e da intolerância. Multiplicam-se ao infinito as analises que identificam causas, cumplicidades e resultados da aventura em que 57 milhões de eleitores empurraram o país, ainda que outros 89 milhões não estivessem de acordo. Jornais e revistas mudam de lado. Até o mundo lá fora é alcançado pelos estilhaços da insensatez, se escandaliza e começa a defender Bens Comuns da Humanidade que a historia colocou sob nossa responsabilidade. Homens e mulheres, jovens e adultos cobertos com o preto do luto começaram hoje a invadir nossas calçadas. Está na hora de encontrar o modo de dar o empurrão final para nossa libertação.
Em muitos países do mundo que sofreram as consequências dos desatinos que levam às carnificinas das guerras, cidadãs e cidadãos descobriram, há mais de cem anos, uma forma de resistir: a desobediência civil. Usando de seu direito humano de não fazer o que atentasse contra seus princípios de consciência, começaram se opondo a impostos que financiassem a violência e em seguida se recusaram a integrar exércitos, e com isso enfraqueceram ímpetos destruidores. Em nosso país o direito à objeção de consciência e a forma de exercê-lo é pouco conhecido. Mas talvez tenha chegad o a oportunidade de descobrir quão poderosa é essa forma de ação politica pacifica. Em ações decididas coletivamente e sustentadas por redes de apoio.
Por que jornalistas estão obrigados a difundir decisões absurdas e provocações dos que acham que tem todo o poder para decidir sobre nossas vidas e sobre a própria natureza? Imponhamos a eles o silêncio desaprovador! Por que servidores públicos estão obrigados a fazer o que lhes for determinado se sabem que o objetivo é destruir o que foi conquistado por toda a sociedade? A recusa de estudantes em aceitar um diretor imposto o fez abandonar o posto o mais depressa que lhe foi possível. Por que funcionários tem que prestar obediência a superiores escolhidos entre os que compactuam com a barbárie? Deixemos eles todos fala ndo sozinhos! Paremos a maquina do governo! Por que os que forem chamados para reprimir ou torturar quem luta pacificamente pela democracia, paz, justiça e liberdade, têm que obedecer a ordens para os fazer calar, até lhes tirando a vida (como ameaçou a nota do governo sobre as manifestações de hoje em Brasília)? Onde está nossa dignidade de seres humanos capazes de solidariedade? Coloquemos flores nos seus fuzis! E nas mesas dos senadores que votarem esta semana contra a reforma da Previdência!
Se os setores sociais acima indicados nos derem o exemplo, todos nós encontraremos formas de exercer a desobediência civil por objeção de consciência, no público e no privado. E nos sentiremos chamados a nos apoiarmos mutuamente, num esforço de cidadania que, não nos enganemos, exigirá coragem. Nossa união fará nossa força!
Chico Whitaker