“2018 na soleira da porta, então pé na porta em 2018”

Vá ao encontro da diferença, da diversidade, das cores, dos estranhos, dos desiguais. Com agulhas para desativar bombas, como propõe Edson Sousa, perfure os monolitos grandiloquentes assim denominados DROGADOS, REFUGIADOS, ILEGAIS, VÂNDALOS, POBRES. Olhe o suficiente até enxergar sua própria face e, em sua pele, sua história.

Reconheça-se no olhar de outrem e nele encontre sua própria estrangeiridade e ignorância sobre si. Invente formas de ultrapassamento dos modos coloniais de pensar e fazer que herdamos de modo profundo, fascinado e alienado. Repense os padrões europeus, por nós, inconscientemente adotados; critique o padrão norte americano, por nós, deliberadamente assumido. Supere seu eventual elitismo travestido de vanguardismo e respire os ar atlântico de nossas matas e florestas.

Macunaime-se.

Seja amazônico, pantaneiro, caipira, caiçara, caboclo, mestiço e brejeiro. Vá a um Brasil ainda desconhecido e veja, revelado em boa parte do terno, passional e ainda ingênuo povo brasileiro tudo aquilo que desejamos e não pudemos ainda nos tornar: uma nação de mestiços que inventam sua história e põem em marcha seu próprio destino. Pense no que nos iguala e nos diferencia nesse país de tantos sotaques, tantos dialetos, tantas etnias e culturas. Prepare-se para as elites ignorantes, desgovernadas e predatórias e seu séquito que detestam o Brasil e os brasileiros e partirão para o ataque.

Entre e revele-se nas portas abertas deixadas pelos nossos ancestrais africanos, indígenas, europeus, latinos e asiáticos escancaradas em qualquer pequena cidade do Brasil, nos grotões, vilarejos, reservas e quilombos. Preste muita atenção nas milhares de lutas travadas pelos movimentos sociais todos os dias. Entenda suas razões e importância. Neles não encontramos as marcas de nosso exotismo caricato e heterônomo, mas nossa possibilidade única de ultrapassarmos daquilo que nos denega, coíbe e mata: a dúvida, a suspeita e a vigência de preconceitos auto-infringidos sobre o que, de outro modo, nos orgulharia. Somos e seremos sempre profunda e radicalmente negros, indígenas e imigrantes desterrados.

Que o ano seja repleto de coragem e esperança (parafraseando o saudoso Dom Paulo); robusto em ativismo; ensolarado pela crítica e o pensamento; pródigo para a psicanálise que tem suas próprias lutas a travar em meio ao ataque generalizado que sofre em toda parte, protagonizado pelas ciências positivas, naturais e comportamentais.

Que interpretações sensíveis sobre nossas repetições institucionais, nacionais e pessoais sejam profusas, vigorosas e independentes; desveladoras dos traços indulgentes de hesitações, receios e dúvidas que nos fazem perpetuar o medo onde toda violência medra.

Psicanalistas pela Democracia estará de portas abertas para publicá-las, divulgá-las e exercer o que ainda nos mantém ativos: a liberdade que nos permitiu viver a ficção psicanalítica, sabendo-a devedora de uma verdade jamais alcançada.

Como a metapsicologia o Brasil também é uma ficção. O país do futuro, a jovem democracia, o gigante prestes a acordar. Como ela aprendemos a reinventar, suportar e testemunhar a reinvenção que tantos realizam sobre destinos traçados e definidos, até então jamais tornados próprios. Sabemos que são as pessoas que infletem destinos, sujeitos que revelam o proibido, a palavra que cria o pensamento e a ação. Junte-se a nós nesse ano que começa! Participe, contribua, apoie as(os) Psicanalistas pela Democracia, que também é seu.

E vamos com tudo para 2018 com nossas ficções em baixo dos braços e que, com elas, façamos um país melhor para todos os brasileiros.

Um 2018 sem temor, sem Temer.

Sem se acovardar, sem Gilmar

Sem a perda de direito algum, sem Marun

Sem administrações ignóbeis e simplórias, sem Dória

Sem o presságio de um futuro ruim, sem Alckmin

Ano em que fascistas pagarão caro, sem Bolsonaro.

São os votos das(os) Psicanalistas pela Democracia.